Paraguai depois do golpe: funcionários públicos relatam demissões massivas

 Mirian trabalhava há quatro anos em secretaria antes de ser demitida: "funcionários públicos estão mendigando trabalho que era deles"

Mirian trabalhava há quatro anos em secretaria antes de ser demitida: “funcionários públicos estão mendigando trabalho que era deles”

Texto nosso publicado no Opera Mundi:

Um depósito com apenas uma janela e uma porta foi, durante seis meses, o local de trabalho da paraguaia Mirian Rodríguez, ex-funcionária da SAS (Secretaria de Ação Social). Licenciada em trabalho social, ela fazia parte daquela secretaria havia quatro anos – sem receber “nenhuma advertência”, ressalta. Junto com outros colegas, ela foi transferida de lá depois de 22 de junho de 2012, quando um golpe constitucional destituiu o então presidente Fernando Lugo.

No “freezer”, como apelidaram o lugar, só havia mesas e cadeiras e era preciso levar de casa parte do material de trabalho, como computadores, por exemplo. Conforme afirmou Mirian a Opera Mundi, para lá foram enviadas as pessoas que tinham alguma capacidade de liderança entre os colegas ou qualquer relação com um dos sindicatos que representam a SAS. “Ficamos sem condições de trabalho, sem ventilação, sem nada. Somos técnicos, temos formação. Os funcionários públicos estão mendigando um trabalho que era deles”, disse.

Confira aqui a reportagem completa.

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Agronegócio está destruindo agricultura tradicional no Paraguai, diz ex-secretário de Lugo

 Lovera: avanço do agronegócio no Paraguai tem provocado um êxodo de camponeses em direção às capitais urbanas

Lovera: avanço do agronegócio no Paraguai tem provocado um êxodo de camponeses em direção às capitais urbanas

Texto nosso publicado no Opera Mundi:

Após o golpe, um dos primeiros órgãos afetados foi o Senave (Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Vegetal de Sementes). Segundo o relatório da Frente de Trabalhadores do Estado contra o Golpe, “bárias dezenas de trabalhadores contratados foram desvinculados a partir de primeiro de julho (sem sequer serem notificados sobre a medida) e uma quantidade de nomeados (com estabilidade) em 13 de julho”. Ao todo, 120 funcionários foram demitidos e dois programas realizados pela secretaria foram descontinuados: o Secretaria de Participação Cidadã e Unidade de Germoplasma.

Ainda de acordo com o documento, “é possivelmente um dos casos mais emblemáticos devido ao fato de esta instituição ter sido acusada durante a gestão do presidente Lugo por insistir na regulação, controle de aplicação de agrotóxico e por resistir à entrada do algodão transgênico BT da empresa Monsanto, liberado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária por meio de uma resolução ilegal”. A autorização seria ilegal, conforme consta no texto, porque o procedimento de liberação dos transgênicos no Paraguai requer um atestado do Ministério da Saúde, e esse procedimento não foi feito. A denúncia é que, no governo de Federico Franco, foram facilitados os trâmites para a liberação dos transgênicos no país.

Confira aqui a reportagem completa.

Houve, afinal, fraude nas eleições do Paraguai?

Artigo da Daniella Cambaúva publicado no Brasil de Fato:

Tão logo o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE) do Paraguai divulgou os dados oficiais confirmando a vitória de Horácio Cartes, surgiram acusações de fraude e de compra de votos. O raciocínio é lógico e a acusação é tentadora, afinal, como 45,8% dos 3,5 milhões de paraguaios aptos a votar escolheram como presidente um empresário acusado de ter vínculos com tráfico de drogas, contrabando e homofobia? Pode-se questionar ainda como Cartes, representante do Partido Colorado, foi eleito dez meses depois de um golpe de Estado que tirou da presidência Fernando Lugo – eleito com 42,3% dos votos, mais de dez pontos à frente da segunda colocada, a colorada Blanca Ovelar.

Para além da existência de fraude (ou possibilidade de cometê-la), a pergunta que deve ser feita é: o partido Colorado precisou comprar votos?

A influência do partido é enorme na sociedade paraguaia. Pudera: o Colorado, oficialmente Asociación Nacional Republicana (ANR), foi fundado em 1887 e, desde então, até 2008, foi o partido do governo no Paraguai. Houve uma exceção no período compreendido entre 1904 e 1946, quando os liberais estiveram no poder. O Colorado também foi o partido de Alfredo Stroessner, o ditador que ficou no poder entre 1954 e 1989.

Confira aqui o texto completo.

Horacio Cartes, o novo presidente do Paraguai

Desde as 12h deste domingo (21), quando os institutos de pesquisa divulgavam a segunda boca de urna apurada na porta dos colégios eleitorais os paraguaios já supunham quem seria o novo presidente. O horário para votar terminaria seis horas depois, mas os apoiadores do partido Colorado, pelo menos na capital, já contavam com a vitória.

Os resultados variavam bastante, de acordo com o instituto. Em alguns casos, no mesmo horário, a porcentagem de votos do primeiro colocado oscilava em 20 pontos. O certo era que Cartes aparecia em primeiro, Efraín Alegre em segundo e Mario em terceiro.

Se o eleitor não quisesse saber dos resultados prévios antes de votar, precisava ir bem cedo. Desligar rádio, televisão e computador não bastaria: a partir das 15h, eram frequentes os rojões, e as bandeiras vermelhas já começavam a tomar conta das ruas.

Na Praça da Liberdade, uma das principais do centro de Assunção, dois vendedores ambulantes fizeram sucesso. Eles estão diariamente naquele ponto, mas hoje trouxeram um produto novo: a bandeira vermelha do partido vencedor.

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Na Praça da Democracia, também no centro da cidade, uma banda de músicos montava seu equipamento antes das 16h.

O Tribunal Superior de Justiça Eleitoral anunciará o resultado oficial por volta das 20h (21h no horário de Brasília). Conhecendo o nome do presidente, restará saber quantos votos tiveram os outros candidatos e quantos eleitores não foram votar, além, é claro, dos nomes eleitos para o Congresso.

Dez meses depois do golpe, Paraguai elege sucessor de Federico Franco

venda“Temos que evitar que estes grupos ganhem. Não estão preparados para governar um país”, opinou um professor universitário paraguaio, sentado em um dos bancos da Praça da Democracia no centro de Assunção. Especializado em matemática pura e aplicada, ele já está aposentado e recusa revelar seu nome: “É uma incógnita. Fui educado sob a ditadura strossnista”.

É possível compreender seu medo de se identificar em poucos minutos de conversa. A destituição de Fernando Lugo em 22 de junho do ano passado – em quem ele havia votado em 2008 – foi um golpe de Estado que lhe remeteu à falta de democracia da ditadura de Alfredo Stroessner (54-89). “Eu não estava de acordo. Para mim, foi um golpe para impedir que o projeto de Lugo avançasse. O país precisa urgentemente de uma mudança”, disse, segurando nas mãos um exemplar do jornal ABC Color, do qual faz questão de ressaltar que é crítico. Continuar lendo

Boca de urna: aposte em seu candidato!

Folha colada na parede de um dos centros de votação

Folha colada na parede de um dos centros de votação

A fim de tentar impedir que leitores sejam influenciados, a legislação eleitoral paraguaia proíbe que sejam divulgadas pesquisas de intenção de voto quinze dias antes das eleições. Porém, no dia da votação, o que se vê é um fenômeno contrário: as pesquisas de boca de urna são divulgadas ao longo do dia, enquanto as pessoas ainda votam.

Na porta de cada colégio, há mais de um pesquisador, que pergunta aos eleitores em quem votaram. Esse pesquisador trabalha com folhas de papel, caneta e uma prancheta com dados totalmente disponíveis para quem conseguir esticar o pescoço. A maior parte das pessoas se dispõe a responder, contou um deles, comemorando. Continuar lendo